Reflexões sobre um pé de alface!

Risco & Recompensa , 21/01/2019

Hoje pela manhã estava organizando nossa geladeira em casa. Enquanto aguardava meu marido voltar da feira, cuidava de dar destino ao que sobrou da semana passada. Dentre alguns itens estava um pé de alface e rúcula. Olhei as verduras ... olhei o preço na embalagem: R$ 2,38. Então pensei ... será que vale a pena tentar aproveitar alguma parte? Pelo preço teria descartado – mas, pelo valor - pensei que valeria a pena tentar recuperar.

O valor vai muito além do preço: pensei em toda a jornada percorrida até aquela verdura chegar em casa ... quanta energia armazenada para se jogar no lixo! Resolvi então colocar as “mãos na massa” – retirei o que não valia a pena e ao colocar as sobras na água para higienizar, as folhas foram ganhando vida – como num milagre - e muito consegui recuperar. Minha atitude naquele momento teria um custo marginal – considerando tudo o que foi feito até aquele momento para que estas verduras ali estivessem.

Pensei também por qual motivo este pé de alface chegou a este ponto – falta de planejamento? Pode ser ..., mas acho que a falta maior é de prontidão para a ação. Somos 5 adultos em casa e nenhum se propôs a lavar, condicionar ou comer as verduras que ali estavam. Todos esperavam por um milagre de uma salada sobre a mesa – limpa – saborosa e temperada. Aprendemos a conviver com certa irresponsabilidade que promove o desperdício.

Isso acontece também nas empresas. Nas diferentes organizações vejo tempos mal aproveitados em intermináveis reuniões sem compromisso com a ação propriamente dita. A ação deve ser orientada por um pensamento complexo. O complexo – segundo Morin – é aquilo que é tecido em conjunto. E ao pensar no pé de alface vejo muita complexidade.

As pessoas se colocam sempre ocupadas – mas fazendo pouco – sem refletir sobre o todo e suas partes. Parecem olhar a floresta – mas não veem as árvores. Os que veem as árvores não veem a floresta. Como fazer para desenvolver esta mentalidade atenta para os diferentes ângulos? Como navegar entre o todo e o detalhe? Muitas vezes as elites – os cargos “superiores” se colocam como aqueles que “olham para o todo” e os detalhes cabem aos seus colaboradores. Será que assim não se perde a capacidade real de perceber e entender? Como resgatar a atenção de todos para a riqueza do que é trivial e corriqueiro? Desconfio estar aí a fonte de muito valor.

Enquanto isso ... devo trabalhar com minha equipe doméstica (família) e tentar refletir em conjunto sobre este fato ... qual o valor e o preço de um pé de alface? Vamos fazer esta reflexão aqui em casa.

Boa semana para todos.



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