Robôs e algoritmos - Como a inteligência artificial está mudando o mercado de trabalho

Risco & Recompensa , 26/03/2018

No futuro próximo, o trabalho que você executa será feito por uma máquina. Não se assuste. Algumas das mais brilhantes cabeças do universo estão pensando em formas úteis, divertidas e lucrativas de ocupar o seu tempo.

Motoristas, advogados, professores, jornalistas, escritores, operários, engenheiros e médicos. Boa parte das atividades que fazem girar e economia e dão sustento às famílias está desaparecendo ou passando por mudanças radicais.

O uso em larga escala de robôs, de algoritmos e de equipamentos dotados de inteligência artificial transforma drasticamente o mercado de trabalho. Novos tipos de atividades surgem, mas é bom estar preparado: o número de empregos disponíveis será bem menor. A tal ponto, que o próprio conceito de trabalho está em xeque.

- Ainda é cedo para saber, mas talvez, enquanto as máquinas trabalham, tenhamos a opção de que ser transportados para uma realidade virtual, um matrix -  arrisca o neurocientista alemão Konrad Kording, professor da Universidade da Pensilvânia, nos EUA.

A ofensiva de gigantes do Vale do Silício dá o tom da velocidade da mudança. O Google já colocou nas ruas os primeiros carros que não precisam de motorista e a Amazon promete mudar a forma de fazer compras ao lançar um supermercado sem a presença de atendentes nem a necessidade de passar as compras no caixa. Um sistema de câmeras registra toda vez que um produto é retirado da prateleira e cobra diretamente no cartão de crédito do cliente. 

- Sempre houve, em alguma medida, esses fenômenos de avanço tecnológico, extinção de alguns empregos e criação de outros. A diferença é que agora isso acontece em escala exponencial. Não podemos olhar para o passado e achar que vai ser igual - alerta Rosa Alegria, futurista e cofundadora do Núcleo de Estudos do Futuro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 

Já forte na agricultura e na indústria, a presença de máquinas autônomas chega ao comércio e à prestação de serviços – onde estão empregados 70% dos trabalhadores no Brasil e no Rio Grande do Sul.

A velocidade dessa transformação preocupa autoridades mundiais. 

Se por um lado traz a promessa de ganhos expressivos de produtividade, também há risco da ampliação das desigualdades de renda. O relatório The Future of Jobs (O futuro dos trabalhos), apresentado em 2018 no Fórum Econômico Mundial, em Davos, estima que em menos de dois anos haverá queda de mais de 7,1 milhões de empregos graças a mudanças no mercado.

Outros 2 milhões de vagas serão criadas em áreas relacionadas à tecnologia e à computação. No saldo, 5 milhões de empregados a menos. A consultoria EY, uma das mais importantes do planeta, é mais pessimista. Estima que até 2025, um em cada três postos de trabalho deve ser substituído por tecnologia inteligente em países desenvolvidos. Projeção da Federação Internacional de Robótica indica que até 2019 mais 333 mil robôs passarão a atuar diretamente no setor de serviços em vagas antes ocupadas por humanos. 

Na visão de especialistas, em poucas décadas, só terão sobrevivido aqueles empregos que exigem criatividade e uma boa dose de empatia. 

- Em essência, qualquer trabalho burocrático, que envolva a aplicação de regras, será, mais cedo ou mais tarde, realizado por máquinas. Algoritmos que farão isso mais rápido, melhor e mais barato do que humanos - afirma o futurista Federico Pistono, autor do livro Os Robôs Vão Roubar Seu Emprego, Mas Tudo Bem: Como Sobreviver ao Colapso Econômico e Ser Feliz.

FONTE: Gaúcha ZH



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