Marcelo Monteiro: II Pesquisa de Imagem das Assessorias de Cobrança: Ferramentas inteligentes que aumentam a recuperação de ativos

Risco & Recompensa , 08/09/2017

Os resultados da II Pesquisa sobre a Imagem das Assessorias de Cobrança não só reforçam a percepção de que o modelo de atuação “tradicional” das assessorias de cobrança está chegando no seu limite, como também apontam para uma tendência de mudança, do lado das empresas que as contratam. E o que levou a este esgotamento? O comportamento do consumidor. Conectado, sendo capaz de atender às suas necessidades e de resolver boa parte dos seus problemas na palma da mão, ele percebeu que pode fazer isto quando e onde quiser e, o mais importante, do jeito dele, de várias maneiras diferentes. É o consumidor “Empoderado”.

Mercados e empresas têm passado por profundas transformações para se adaptar aos novos hábitos, a um comportamento que exige total disponibilidade, simplicidade, facilidade, e respostas imediatas.

Alguns vão ficar pelo caminho (fax, câmeras fotográficas, walkmans já ficaram), outros vão tentar se adaptar (taxis, agências de viagens, empresas de telefonia), e o momento é favorável ao surgimento de novo players que já nascem plenamente adaptados a este cenário, concebidos e construídos a partir de premissas completamente diferentes dos seus concorrentes da “geração” anterior. 

É o caso das Startups. Fortemente apoiadas por tecnologia, e com algoritmos matemáticos analisando, sugerindo e otimizando o que for possível, enxutas e virtuais, chegam com propostas inovadoras para atender necessidades, simplificar atividades do dia a dia, ou resolver falhas de mercado que, de tão acostumados com elas, nem as percebíamos. Especificamente no segmento de serviços financeiros, estas Startups são chamadas de Fintechs.

No entanto, isso ainda não justifica a insatisfação com as assessorias de cobrança apontada pela pesquisa. A conjuntura atual tem um peso muito grande na criação desta percepção. Uma crise econômica sem precedentes, um número muito grande de desempregados e um número muito maior de endividados criaram um cenário que pressiona demais as assessorias de cobrança.

Mais gente para ser cobrada e maior dificuldade para negociar significa, do lado das assessorias, maior custo por Real recuperado, diminuição de margens e redução na capacidade de investimento; do lado dos contratantes, maior custo de cobrança e metas não batidas.

Todo mundo sempre vai ao menos querer conhecer um modelo de negócio que traga maiores resultados a custos menores. É o sonho de todo gestor. É a proposta das Fintechs. E o cenário está muito favorável.

O mercado está disposto a apostar nas novidades, mesmo que suas propostas ainda não tenham sido aprovadas, porque não dá tempo de esperar, porque os concorrentes estão apostando, e porque quem sair na frente pode ficar com uma parte maior do bolo.

Mas se as respostas sugerem que há uma disposição muito grande, no mercado, para se usar estes novos players, não há sinais de uma migração total. Existe uma combinação de ousadia com cautela. O fato do software de cobrança ser o item técnico mais avaliado na hora da contratação, sugere que a cabeça está no presente, mas olhando para o futuro, onde o modelo estabelecido está sendo desafiado por novas e diferentes formas de se cobrar.

Se os novos modelos propostos se mostrarem eficientes e mais competitivos que o modelo chamado tradicional, talvez, na pesquisa do ano que vem, poderemos ver um avanço grande das Fintechs no mercado de cobrança.



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