Brasil futuro, proposta de um projeto nacional

Risco & Recompensa, 23/01/2017

O Brasil de há muito perdeu o sentido de pensar seu futuro, de formular um “projeto nacional”, de elaborar planos de longo prazo. Os governos estão inteiramente envolvidos com problemas que se sucedem e que requerem soluções emergenciais. As grandes empresas estão dominadas pela “ebtidização”, isto é, em mostrar resultados trimestrais positivos, antes da influencia dos juros e dos impostos.

A preocupação com o amanhã está limitada a alguns meios acadêmicos e a colunistas em jornais ou revistas, reclamando a necessidade de um projeto nacional, mas sem qualquer proposição, exceto a efetivação de reformas estruturais e a absoluta crença de que o futuro do Brasil está na educação.  Ouso aqui apresentar minha visão do Brasil Futuro, dentro do horizonte de 2035 a 2050, isto porque tudo que for feito nos próximos anos terá um longo período de maturação.

O Brasil do futuro não terá mais como polo dinâmico da sua economia a indústria localizada no Sudeste. Esta vai seguir numa trajetória de decadência, tornando-se um setor menor dentro do PIB, resumindo-se a poucas atividades de transformação, notadamente as de agroindústria, incluindo a florestal, passando a ser uma grande montadora de partes importadas para abastecer o mercado latino-americano, incluindo o nacional. Que representará a maior demanda. O país poderá parecer ainda uma grande potencia industrial, mas a atividade principal será de serviços, isto é, uma economia dominada pelo setor terciário e não mais pelo secundário. Não é um cenário para 2035, mas, concretamente, uma realidade de 2017, que resistimos em reconhecer. 

O Brasil não é mais um país industrial. E doravante essa característica ou essa situação só irá se agravar. A desejada reindustrialização com a revitalização da indústria 2.0 instalada no Brasil é apenas um sonho. Na realidade, um pesadelo.

 O Brasil Futuro não será promovido pela sustentação do Brasil Desenvolvido, mas pelo desenvolvimento do Brasil Subdesenvolvido. Decorrerá do modelo dos seus “colegas” do BRICS, China e Índia, baseado na incorporação sucessiva da população mais pobre, financiada por recursos externos obtidos pela exportação. A China alcançou elevadas taxas de crescimento durante anos e investiu grande parte da renda adicional na urbanização e na infraestrutura. Agora é a vez da Índia, o Brasil perdeu a vez. Tivemos oportunidade de promover e sustentar nosso desenvolvimento econômico segundo esse modelo, mas desperdiçamos a oportunidade por “barbeiragem” e jogamos o carro em alta velocidade para fora da estrada, caindo num barranco, do qual estamos tentando sair.

O modelo aqui pensado deslocará o polo dinâmico de desenvolvimento para o território nacional acima do paralelo 16, isto é, acima de Brasília, associando o agronegócio às saídas da produção pelos portos do Norte e às ligações por uma malha ferroviária estruturada em torno do eixo da Ferrovia Norte-Sul e das demais rotas em direção às saídas norte. A renda obtida pelas exportações promoverá ainda a expansão ou implantação de uma nova rede urbana, adequadamente suprida por infraestrutura. Os grandes e mais avançados centros de consumo captarão parte desses recursos, o que dará sustentação à cidade de São Paulo, como a outras capitais, sob inteiro domínio do setor terciário (comércio e serviços). Também com um grande desenvolvimento imobiliário.



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