A vida sob a égide dos algoritmos!

Risco & Recompensa, 06/01/2017

Durante uma semana em 2012 o Facebook manipulou o algoritmo que disponibiliza os posts nas feeds de notícias de aproximadamente 700 mil usuários para verificar se afetaria o humor dos usuários. Este estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Cornell e pela Universidade da Califórnia. O objetivo era avaliar se a exposição a palavras positivas ou negativas influenciavam o humor do usuário. A ideia central dos pesquisadores era que estados emocionais podem ser transferidos para os outros por meio de contágio emocional levando as pessoas a experimentarem emoções similares de modo inconsciente.

Em abril de 2013, o Twitter da agência de notícias Associated Press foi invadido por hackers, que conseguiram enviar uma mensagem falsa informando uma explosão na Casa Branca e que o Presidente Barack Obama estaria ferido, conforme descrito na revista Bloomberg Businessweek da semana de 29 de abril de 2013. Rapidamente essa mensagem disseminou-se e, devido à elevada utilização de algoritmos no mercado financeiro, em poucos minutos o índice Dow Jones havia caído 140 pontos, o que resultou em uma perda de aproximadamente 200 bilhões de dólares. Após a confirmação de que a notícia era falsa, o mercado retornou ao equilíbrio.

O site de notícias Co.Design publicou em novembro de 2016 uma matéria de Kesley Campbell-Dollaghan, com o título The Algorithmic Democracy com o subtítulo, AI is changing how we think, debate and choose. O artigo apresenta que durante os debates televisivos para a presidência do E.U.A. foi descoberto que 20% de todos os tweets foram realizados por robôs. Programas feitos para difundir uma a mensagem positiva ou negativa, conforme desejado. O artigo defende que os algoritmos inquestionavelmente deixam as vidas mais “fáceis, suaves e deliciosas”. Entretanto neste exemplo os algoritmos “afetaram a democracia” influenciando a eleição de Donald Trump.

É inegável que o nosso mundo, em especial nas grandes cidades, é cada vez mais influenciado, para não colocar regido, pelos algoritmos. E nem sempre esta influência é percebida pela maioria das pessoas, conforme os exemplos no início deste artigo. E o mercado de trabalho irá também ser influenciado pelos algoritmos ao passar por uma transformação. O Jornal Valor Econômico apresentou uma matéria com o título “Mundo perderá milhões de empregos até 2020”, onde coloca que haverá uma mudança no perfil dos profissionais, para atender a Quarta Revolução Industrial.

Para alguns pesquisadores e acadêmicos estamos vivendo a Quarta Revolução Industrial. Enquanto a Primeira Revolução Industrial pode ser entendida como a mecanização da produção com o uso do vapor, a Segunda Revolução Industrial introduziu a energia elétrica. Na Terceira Revolução Industrial ocorreu o uso disseminado da eletrônica e da Tecnologia da Informação para automatizar a produção. Agora ao chegarmos na Quarta Revolução Industrial temos as tecnologias de automação, troca de dados, internet das coisas (IoT), computação nas nuvens, redes sociais artificias e flertamos com a ficção com a computação quântica e o transhumanismo.

Entender que os algoritmos existem, que estão ao nosso redor e acima de tudo aprender a utiliza-los pode fazer toda a diferença sobre como vivemos e em especial no nosso trabalho. O artigo do Valor Econômico defende que o Brasil será pouco afetado até 2020, pois nossas indústrias estão muito atrasadas. Outra leitura é que seremos, sim, impactados. Afinal o Watson da IBM já está sendo “treinado” para atender chamadas nos call centers, as soluções de Speech Analytics já estão disponíveis para avaliar processos, comportamentos dos clientes e dos profissionais de call center. Técnicas Data Mining estão acessíveis para avaliar a colossal quantidade de dados disponíveis nas empresas. Se no século passado as empresas trabalhavam com dados estruturados, agora irão trabalhar com dados não estruturados, como texto, voz e imagem. O mundo mudou e a Quarta Revolução Industrial já está no Brasil. Com certeza não na dimensão que está no países denominados do “primeiro mundo”, mas já está entre nós.



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