Entenda o mercado de créditos podres

Risco & Recompensa, 10/12/2015

DISTRESSED ASSETS ou ATIVOS PODRES são fundos especializados em ativos de elevado risco onde já houve um default, voltados para investidores qualificados.

Trata-se de uma modalidade de aplicação cada vez mais em expansão no Brasil, na medida em que se beneficia dos momentos de crises que, por sua vez, geram oportunidades para compra de ativos depreciados. Apesar da maior parte das transações efetuadas serem unsecured, sem garantias, os investidores apresentam grande interesse para esse tipo de carteira.

É um investimento que vive de recessão, de desafogar, por exemplo, os balanços dos bancos privados que, pelo acordo da Basileia III estão cada vez mais pressionados a retirar de seus balanços os débitos não recebidos, especialmente àqueles com vencimentos acima de 360 dias.

Nesse segmento há o mercado de crédito à pessoa física, onde são negociadas grandes carteiras de cartões de crédito, financiamento de veículos; carteiras de créditos de entidades públicas, os precatórios, além das ações contra órgãos públicos; carteira de créditos de pessoas jurídicas, com origem em financiamento bancário ou comercial.

Atualmente, a maior parte dos investidores nesse tipo de negócio são os estrangeiros e os bancos de investimentos que buscam maior rentabilidade, mesmo que o risco seja elevado, o que os favorece ainda mais devido a alta do dólar, tornando os ativos do país mais atrativos para o capital internacional.

O país está em ciclo de aumento de desemprego, a confiança dos consumidores e empresários continua caindo... A grande dúvida é qual é o real tamanho do problema?

Inevitavelmente, o cenário desafiador para a economia brasileira deve elevar o volume de ofertas de carteiras de créditos problemáticos, corroborando o desenvolvimento de um mercado ainda relativamente incipiente no Brasil. Concomitantemente à oferta de venda de carteiras, motivada pelo cenário ruim da economia, a dificuldade da cobrança também será maior. As recuperações de crédito esperadas hoje são piores do que, por exemplo, há três ou quatro anos.

No Brasil, o mercado tem quase certeza de que a recessão deve continuar em 2016 e, nesse caso, além da deterioração no valor dos créditos não performados com o passar do tempo, há a deterioração dos atuais créditos e a entrada de novos devedores nas carteiras dos bancos e, consequentemente, maior dificuldade para cobrança do crédito.



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