Competitividade em Queda

Risco & Recompensa, 23/10/2015

Nosso leitor/internauta pode não acreditar, mas é verdade. Depois do rebaixamento da nota do país pelas agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Fitch veio mais uma notícia ruim para o Brasil no contexto internacional: entre 140 países, ficamos na 75º. posição em termos de competitividade global. No ano passado estávamos no 57º. lugar. Perdemos 18 posições no quadro geral, elaborado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial. É mais um 7 x 1, só que, nesse caso, num setor um pouco mais consequente que o futebol.

Somos campeões na queda. Nenhum país perdeu tantas posições (dezoito!). Também pudera: o ambiente econômico, sem confiança e credibilidade, foi o que mais pesou nessa baixa vertiginosa da nossa reputação, lembrando que em 2012 ocupávamos a 48ª. posição. As razões?

Estamos em plena recessão econômica; a indústria brasileira perde espaço e acelera o desemprego; a inflação galopa e ameaça chegar a dois dígitos. Há problemas fiscais, onde predominam excessiva tributação e descontrole; na educação e na saúde, o padrão dos serviços públicos é sofrível. Resumindo, fomos ultrapassados por 25 países. A Índia que, como o Brasil, faz parte do grupo dos Brics, deverá crescer cerca de 7,5% em 2015, subiu 16 posições.

Os problemas que a indústria brasileira enfrenta estão relacionados com carências na infraestrutura, questões relacionadas à carga tributária, burocracia, capacitação profissional, taxas de juros, encargos trabalhistas e disponibilidade de créditos. Até recentemente lutava também contra problemas de natureza cambial. O grande drama que a situação da indústria de transformação traz para o país ou, antes, para a economia e sociedade brasileiras é o desemprego. Sem emprego, cai a renda, desaba o consumo.

Dados do CAGED-Cadastro Geral de Empregados e Desempregados indicam que até o final do ano a população sem emprego será da ordem de um milhão de trabalhadores. Somando a este contingente o número de jovens que ingressa no mercado de trabalho anualmente, em torno de 800.000 pessoas, e que certamente não terá oportunidade de conseguir colocação, teremos um exercito de quase dois milhões de desempregados. Um verdadeiro desastre.

A instituição responsável pela coleta e análise dos indicadores que dão estrutura ao índice (do Brasil) é a Fundação Dom Cabral, entidade idônea e de renome. Portanto, o Governo não poderá “reclamar” que não foram coletados dados mais recentes ou que a situação se deve à crise internacional.

Esse panorama adverso, e que piora com o tempo, tem pelo menos duas explicações: a incompetência na gestão da coisa pública e a corrupção sem limites. Com isso, nossa reputação como povo e como nação vai para o brejo, ou melhor, para o 75º. lugar na capacidade de competir. É uma lástima!



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