FMI Pede Reformas

Risco & Recompensa, 10/06/2015

O Fundo Monetário Internacional-FMI não está vendo o Brasil com bons olhos. Mesmo com a seriedade e o esforço do Ministro Levy em promover o rearranjo da economia nacional, buscando o equilíbrio fiscal e a recuperação, o certo é que a instituição, nas reuniões do “World Economic Outlook”, o Panorama Econômico Mundial, realizadas em Washington, EUA, em abril último, não poupou o Brasil na análise feita pelo seu economista-chefe.

No relatório apresentado, a instituição destacou a falta de confiança dos agentes econômicos, notadamente empresários, a queda nos investimentos, o risco de racionamento, a curto prazo, de agua e eletricidade, e o (grave) problema da corrupção na Petrobrás. Enfatizou que o crescimento da economia brasileira será negativo em 2015, em cerca de 1%, ou seja, mais de dois pontos percentuais menor que a previsão feita em outubro de 2014.

Ao final, o Fundo indicou aos formuladores da política econômica que “os principais desafios de hoje são a preservação da estabilidade macroeconómica e financeira e a construção de bases sólidas para um crescimento sustentado no futuro. Para tanto, será necessário adotar uma política fiscal mais prudente, que ajudaria a aliviar a pressão sobre as limitações de capacidade, mitigar a ampliação do déficit em conta corrente, preparar melhor a economia para lidar com choques externos adversos, flexibilizar a taxa de câmbio e utilizar medidas prudenciais para desencorajar fluxos de capital especulativo”. Finalmente, lembrou que “sustentar o crescimento do produto exigirá reformas estruturais para aumentar o crescimento da produtividade”. Fugindo um pouco do tom ameno e conciliador de suas manifestações, a análise do FMI é justa e oportuna e nela se verifica que as perspectivas brasileiras não são lá das melhores. Rússia e Venezuela foram mencionadas com piores perspectivas que o Brasil.

No nosso caso, os problemas apontados são de natureza econômica, mas fica claro que a análise e as recomendações bateram forte no problema da corrupção e apontaram a necessidade de reformas em diferentes setores para que a economia siga adiante e supere os problemas da estagnação, do desemprego e da inflação. Da crise, enfim.

Não é de espantar que a corrupção na maior empresa brasileira já tenha alcançado o mundo, tanto pelos valores envolvidos como pela originalidade dos artifícios utilizados. Pior para nós, nossa cultura, nossa imagem de nação civilizada. Quanto aos problemas econômicos, o Fundo não “descobriu a pólvora”: os brasileiros os conhecem bem e daí sentirem a necessidade das reformas tributária, política, da adoção de saudáveis práticas de governança corporativa no setor público e da escolha de políticas econômicas consequentes, capazes de trazer de volta o crescimento e o progresso.

Abominar a corrupção e preconizar reformas não é privilégio do FMI. O cidadão brasileiro também age de maneira similar, pois, suporta carga tributária de quase 40% do PIB, padece com desmandos, enfrenta tarifaços, convive com ameaça de desemprego e luta contra a carestia. Mas cultiva esperanças.

(*) - Economista; FEA-USP



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