A volta dos que não foram

Risco & Recompensa, 08/05/2015

Muito se tem falado sobre a corrupção na Petrobrás e provavelmente ainda haverá muito o que se falar até a conclusão da Operação Lava Jato.

Sem correr o risco de ser precipitado posso inferir que existem muitos mais esqueletos escondidos nos armários (entenda-se gabinetes de Brasília) do que podemos imaginar. Vários empréstimos sigilosos do BNDES (dinheiro público sem que a sociedade possa ter conhecimento, uma aberração contra a democracia), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Eletrobrás e outras estatais que provavelmente foram utilizadas para garantir a permanência de um partido no poder.

Os meandros do que pode ter acontecido ou continua acontecendo, dado o emaranhado de falcatruas, é possível que nunca venhamos a saber e nem ver a devolução desta verdadeira derrama. Já pensaram o que não daria para fazer com esta montanha de dinheiro? Se um gerente de 3° nível está expatriando a bagatela de aproximadamente R$ 200 milhões, o que se dizer dos demais?

O que intriga a sociedade brasileira é o discurso de que o PT foi um partido que lutou e esteve sempre ao lado das classes menos favorecidas, ainda hoje com defensores da ideia de que este promoveu a verdadeira inclusão social. Esta semana, o programa partidário do PT, exibido em rede nacional, se superou; mentiu, omitiu, deu a sua versão para os escândalos e resumiu que está tudo bem.

Ainda que seja legitima a aspiração dos mais pobres em ter acesso a itens de consumo, como TVs, celulares, geladeiras e outros bens, a questão é se isto fez alguma diferença na qualidade de vida destas pessoas.

Este consumo se deu a partir de um crédito fácil, cujo modelo se esgotou e que gerou índices estratosféricos de inadimplência, incluindo aí também o programa do governo para a compra de móveis e artigos eletrônicos – possivelmente o maior calote da história moderna do Brasil.

Será que inclusão social não seria o direito do cidadão, garantido pela Constituição de ter acesso a um programa decente de saúde, meios eficientes e adequados de transporte público, educação de qualidade e moradia para todos?

O fato é que estes nunca foram incluídos e voltaram, infelizmente, à realidade de suas existências.



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