Cenários para 2015 e o futuro do crédito no Brasil

Risco & Recompensa, 11/03/2015

É indiscutível a importância do crédito para a economia brasileira. Do lado da empresa, ele preenche a lacuna entre o recurso e o investimento, possibilitando a aquisição de bens de produção e insumos que gerarão o tão desejado fluxo de receitas futuro. Do lado do consumidor, o crédito abre as portas ao consumo de bens que, de outro modo, só seriam consumidos depois de acumulada uma significativa reserva financeira.

A partir do Plano Real e com mais intensidade a partir da chegada dos anos 2000, o Brasil experimentou avanço expressivo do crédito. Dados do Banco Central mostram que, em março de 2007, o saldo da carteira de crédito no Brasil com relação ao PIB era de 31,22%. Em dezembro de 2014, essa proporção havia quase dobrado e atingia a marca de 58,86%. O que se percebe, portanto, é que o crescimento do crédito no Brasil não tem apenas acompanhado o PIB, como também superado esta métrica, exercendo de forma importante o seu papel de impulsionador da atividade econômica.

Mas o quadro mudou. O crédito segue crescendo, só que a taxas bem mais modestas do que as observadas nos anos anteriores. O cenário macroeconômico desfavorável, com inflação e expectativa de inflação em alta (apesar da atividade fraca) e deterioração das contas públicas, forçou, a um só tempo, novo ciclo de alta de juros e aperto fiscal. Nesse contexto, é difícil esperar que o crédito retome o fôlego de outrora. Cai, de um lado, a confiança do consumidor; sobe, por outro lado, o rigor na hora de conceder o crédito. Como reflexo disso, diminui também o número de dívidas a serem pagas.

Reside aí a explicação para a desaceleração do avanço da inadimplência. Tanto o indicador anual de dívidas em atraso quanto o indicador anual de devedores registrados nas bases às quais o SPC Brasil tem acesso registraram crescimento desde o início das séries históricas. As altas foram sempre disseminadas em todos os setores da economia e regiões do país. Em dezembro de 2014, o indicador anual de pessoas inadimplentes avançou 3,45%, depois de alcançar o pico de 5,43% no mês de agosto. A desaceleração observada na segunda metade de 2014 seria um dado positivo se decorresse do aumento da recuperação de crédito. Não é o que ocorre. Há dois vetores: os indicadores de inadimplência seguem aumentando em razão da perda de dinamismo da economia, que cria menos emprego e tira o poder de compra das famílias; a novidade é que crescem menos, em razão da restrição ao crédito, que diminui a base de dívidas.

Os mesmos fatores que atuaram sobre a economia e o crédito em 2014 permanecem em 2015. No curto prazo, os efeitos do aperto monetário e fiscal devem manter a atividade fraca. Não há perspectiva de retomada no curto prazo. Dito de outro modo, o risco do não pagamento das dívidas concedidas deve se manter, realimentando a cautela na hora de conceder o crédito Por outro lado, não há qualquer perspectiva de aumento do apetite do consumidor por compras de itens ligados a financiamento como eletrodomésticos, materiais de construção e automóveis. Apenas para exemplificar, o indicador de consultas para vendas a prazo do SPC Brasil mostrou em fevereiro de 2015 uma queda de 2,85% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Mas os problemas são conjunturais e passam. Por ora, o varejista e as empresas de serviços que concedem financiamento, além daquelas especializadas em crédito devem basear os seus negócios na cautela e cuidado na concessão de financiamentos e nas vendas seguras. Diante do quadro, portanto, ganham em importância os serviços prestados por birôs de proteção ao crédito como o SPC Brasil.



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