Real e presencial: o também inovador modelo de fazer negócio

Risco & Recompensa, 02/03/2015

Há vários anos, estamos assistindo e vivenciando a popularização dos meios digitais como forma de comunicação. Em um processo crescente e sem antecedentes, cada vez mais a internet , o “virtual”, é o método escolhido para conhecer pessoas, adquirir conhecimento, marcar compromissos, comprar produtos e, obviamente, fazer negócios. Não é de se estranhar que os meios mudem o cenário no qual estão inseridos, produzindo um efeito em cadeia entre seus usuários, a partir de sua expansão e adesão. Foi assim com o correio, com o telefone fixo, o celular e, claro, com a internet. Essa última, de modo especial, deu um novo sentido – que continua sendo modificado incessantemente – ao modelo de inter-relacionamento humano.

Há um teórico da comunicação chamado Geertz, que resumiu perfeitamente o sentido da rede e o modo como absorvemos essa forma de ver e estar presente no mundo on-line. Ele afirma que “o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu”. Hoje, os indivíduos tecem, desse modo, suas teias (web, em inglês) de relacionamento de modo a criar comunidades virtuais, atendendo assim a um desejo constante do homem, que é interagir com o outro e estabelecer laços sociais.

Transpassando todo esse vislumbre teórico ao mundo dos negócios, é importante ressaltar a dicotomia que se instala. Por um lado, há uma crescente e incessante busca das empresas em estarem presentes e acompanharem a evolução da tecnologia e dos meios virtuais, de modo a evidenciarem suas marcas também nesse território. Lembro até hoje da febre gerada há quase 10 anos no Brasil pelo Second Life, um simulador virtual da realidade, que passou a contar não somente com os avatares de ávidos seguidores – desejosos de construir sua própria “segunda vida” - como também com a presença e o investimento financeiro de diversas empresas. No ápice dessa onda, até a Petrobrás tinha seu terreno garantido na Ilha Brasil. E não é um exemplo remoto. Redes sociais como o Facebook e o Twitter são experiências mais recentes, cujo êxito é bem mais expressivo. Segundo um estudo da Burson-Marsteller de 2013, 87% das grandes empresas estão e utilizam algum tipo de rede social.

Do outro lado da moeda, entretanto, temos um apego pessoal de executivos pelo modelo tradicional de fazer negócios. Apesar da escassez de tempo e de fatores externos, é impressionante como o face to face, o poder da persuasão e do discurso presencial e o aperto de mãos continuam garantindo presença no dia a dia das empresas, como uma necessidade real de interação presencial.

Ironicamente, em minha experiência pessoal, tenho que, ao mesmo tempo, propagar o virtual e o presencial como modelos complementares e entrelaçados de negócio. Sendo a CMS uma empresa sediada na Argentina e atuante em mais de 15 países simultaneamente, a virtualidade está em nosso cerne. A facilidade de transpassar as barreiras geográficas em real time e repassando a mesma confiabilidade é nosso dia a dia. Entretanto, mesmo fazendo uso da virtual como ferramenta essencial de contato e pela qual também iniciamos e fechamos negócios, é no momento em que nossos principais produtos - os congressos – estão acontecendo é que podemos entender a importância e o impacto do padrão presencial.

De nenhuma forma quero levantar uma apologia contra os modelos virtuais de eventos ou e-learning. Ao contrário, também trabalhamos com eles como uma opção muito viável de aprendizado e interação, se bem empregada. Mas o que gostaria de enfatizar é o que acontece quando há uma reunião de líderes em um mesmo espaço (real).

Primeiro, o que os motiva. Levando em conta a indústria de Crédito e Cobrança, por exemplo, entendemos que, há algumas décadas, o contexto econômico era timidamente propício e motivador para o ciclo de crédito. Com o passar do tempo e o surgimento de um terreno fértil para o crescimento do setor, impulsionado especialmente por uma moeda estável, o mercado começou a entender o seu papel fundamental como fomentador da economia e surgiu a necessidade de obter um fórum apropriado de discussões que centralizasse os principais temas que orbitavam nesse mercado. Renovação do conhecimento, discussão de melhores práticas e uma necessidade pela e evolução constante de estratégias, tecnologias e inovações do segmento tornaram-se palavras de ordem. Paralelamente a isso, espaços de geração de networking e de negócios passaram a ser cada vez mais valorizadas.

Depois, vem o resultado. É impressionante constatar o poder de uma indústria capaz de mobilizar suas principais lideranças, investindo seu inestimado tempo para reunir-se com seus pares e escutar, compartilhar suas experiências e conhecimentos e a partir daí contribuir de modo significativo para o crescimento do seu mercado. E o mais interessante é que – assim como no território virtual as barreiras geográficas caem por terra – o mesmo processo acontece no pós-evento presencial, que tem como consequência primordial a superação das paredes do próprio congresso, deixando que seus frutos extrapolem o próprio evento e se propaguem em forma de inspiração para novos processos, na resolução de gargalos, na aquisição de tecnologias que facilitarão rotinas e retornarão em resultados, além da simples geração de novos e prósperos negócios.

Em resumo, por mais espaço que ganhe o mundo virtual no espaço corporativo e no modelo de negócio de cada segmento, nos dias de hoje, nada tem sido mais inovador que o bom e velho face to face.



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