Banco Mundial, O Desafio do Desenvolvimento

Risco & Recompensa, 07/01/2015

O Banco Mundial-Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento em seus estudos, análises e relatórios periódicos tem assinalado que “o desenvolvimento é o mais importante desafio enfrentado pela raça humana”. Sublinha também que “ele (o desenvolvimento) não é um sonho impossível, mas, sim, uma realidade palpável”. No entender do Banco, o desafio, na realidade, é bem simples, resumindo-se na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A instituição, nascida junto com o FMI e o GATT-Acordo Geral de Tarifas e Comércio, hoje OMC-Organização Mundial do Comércio, fruto das reuniões de Bretton Woods, nos Estados Unidos, em 1944, já no final da 2ª. Guerra Mundial, quando o mundo se preparava para o advento de uma nova era, converteu-se em grande financiador da reconstrução dos países devastados pelo conflito. Com o tempo, sua missão evoluiu para a de formulador de estratégias e financiador do desenvolvimento dos países mais pobres, assegurando suporte financeiro a grandes projetos nacionais.

Ao criar diretrizes políticas e dispor de recursos para financiar ações concretas, o BIRD vem enfatizando a importância da complementaridade entre Estado e mercado, indicando que as regiões e áreas carentes, entre as quais se inclui o Brasil, devem estabelecer políticas econômicas adequadas e promover, a todo tempo, a reavaliação dos papeis tanto de um, como do outro. Aí estão, por exemplo, a conveniência e a oportunidade das PPP’s, sobretudo quando o Estado se vê sem condições para realizar os investimentos na infraestrutura que dele se espera (rodovias, ferrovias, aeroportos, hidrelétricas etc.).

Três fatores estão subjacentes ao processo de desenvolvimento: i) progresso tecnológico, ii) integração econômica e globalização e iii) conflitos militares. A difusão dos avanços tecnológicos, obtidos via inovações, faz aumentar a produtividade, possibilitando o uso dos recursos nacionais com vantagens. Feita a partir da ampliação do número de acordos comerciais com diferentes nações, a integração econômica leva a novas parcerias e ao consequente aproveitamento dos benefícios da globalização. As guerras, por seu lado, tem sido a causa principal da fome no mundo e não a pobreza ou a insuficiente produção agrícola. É, portanto, imperativo dar fim a elas.

Analisando o caso brasileiro, onde o Banco está presente com ousadas operações de financiamento desde a segunda metade do século XX, perguntamos: o que o atual Governo tem feito nesses últimos anos e o que fará nos próximos quatro para superar nossa abjeta condição de país subdesenvolvido, carente de progresso?

O Governo brasileiro não tem sido bem sucedido ao enfrentar o desafio sugerido pelo Banco Mundial, começando pelo fato de que o PIB cresce minimamente, configurando uma temida estagnação. O recente desastre nas contas públicas joga por terra, numa sequência de manobras canhestras, o sentido civilizatório e moralizante da Lei de Responsabilidade Fiscal. Enquanto isso, a inflação e a carestia sobem assustadoramente, penalizando os menos favorecidos. Inovações? Na agricultura ainda podemos registrar algum progresso. Na indústria, nada! Aqui os empregos qualificados desapareceram e a participação do setor no Produto Nacional tem diminuído ano após ano. Integração econômica? Satisfazemo-nos com o Mercosul, onde nosso principal parceiro no comércio interzonal é a Argentina, e com a China, com a qual temos um relacionamento de natureza neocolonial. Teimamos em não nos inserir no mundo, recusando aproveitar as oportunidades para integrar as cadeias produtivas globais.

Programas sociais (Bolsa Família e assemelhados) sem limite de tempo e porta de saída não são suficientes para superar históricas carências. Na educação, a plena cobertura dos diferentes extratos populacionais, associada ao aperfeiçoamento da qualidade do ensino e à cobrança de metas – sobretudo nos níveis fundamental e médio -- dariam excelente contribuição para a efetiva melhoria no padrão de desenvolvimento dos brasileiros. Note-se, por fim, que não temos guerras. Mas, nem tampouco política econômica adequada. Até quando?



Links