O Último dos Grandes ou o Primeiro dos Pequenos?

Risco & Recompensa, 04/11/2014

Passada a eleição presidencial, é hora de juntar os cacos. Se os indicadores da economia já não eram muito favoráveis, agora percebe-se de forma mais cristalina o desastre que foi a condução do programa econômico do governo nestes últimos anos.

Vamos considerar apenas alguns poucos indicadores:

(a) Nos últimos 12 meses a indústria perdeu 120.000 vagas; o quadro é deseperador – perdemos competividade.

(b) O consumo de energia elétrica caiu 5%;

(c) PIB estimado em 0,27% para 2014 e máximo de 1,00% para 2015;

(d) Inflação anualizada de 6,75%, portanto acima da meta estipulada; sendo que a de alimentos já está em 8,21% e a de serviços em 8,58%. Previsão para 2015 é de inflação de 6,35%;

(e) Um deficit fiscal recorde, o que não ocorria há dezena de anos;

(f) Recorde de inadimplência para empresas.

Poderíamos nos estender a outros indicadores, mas não é o caso. O intervencionismo na economia é alarmante e a aplicação de medidas que poderiam minimizar estes impactos foi sistematicamente postergada em função da eleição que se avizinhava. É difícil trabalhar no Brasil; já dizia Tom Jobim, este país não é para principiantes...

O ambiente para novos negócios é uma selva. Entre 189 nações estudadas pelo Banco Mundial em seu relatório anual Doing Business, o Brasil ocupa a 120º. posição, um avanço de 3 posições em relação a 2013. Em 2012 o Brasil ocupava a 130º. posição. Um avanço lento e pífio. Estamos atrás de Colombia (34º.), Peru (35º.), México (39º.), Chile (41º.) e Equador (115º.).

Como agravante desta situação temos a falta de confiança dos investidores e das empresas; que agora estão como São Tomé, “ver para crer”. Não será uma tarefa fácil, até porque, como apelo de campanha, as medidas que deveriam ter sido tomadas, foram demonizadas pelo governo, como atributos da oposição.

Uma simples troca de ministro não será suficiente para modificar esta situação; há necessidade de rever conceitos e fundamentos, sem os quais, vamos piorar ainda mais o quadro que já se vislumbra negro para 2015.

Por outro lado, urge que o Brasil olhe para o mundo e promova, á exemplo de outras nações que experimentam um crescimento muito superior ao nosso, novas alianças e novos pactos econômicos, desprezando apelos ideológicos, o que contribui para a falta de perspectiva de crescimento. Ainda estamos atribuindo a nossa crise à turbulência internacional; fato desprezado pelos nossos vizinhos da América que crescem em níveis muitos superiores ao nosso.

Uma piada que corre no mercado, “não tem problema votar nos candidatos do PT, uma vez eleitos, eles aplicam o que o PSDB faria”!.



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