Tudo em ordem. #sóquenão.

Risco & Recompensa, 22/09/2014

No país da piada pronta até as instituições mais sérias, com reconhecimento internacional, são acertadas em cheio; a última semana foi desastrosa para o IBGE. A divulgação dos dados do PNAD e a informação no dia seguinte que parte deles estava errada, é só mais um capítulo de desgoverno. Pela avaliação dos especialistas, aparentemente não se tratou de uma manobra para maquiar números, mas erros operacionais na metodologia utilizada. A sociedade brasileira espera que sim.

Estes erros não acontecem por acaso; são consequência de desmandos; vale lembrar a crise instalada em Abril deste ano, com a divulgação de que os dados da PNAD seriam postergados para Janeiro de 2015, o que provocou a renúncia de diversos técnicos da instituição, por não concordarem com este adiamento.

Em Maio, houve o início da greve que durou 79 dias, o que acarretou a divulgação de dados de taxa de desemprego de forma incompleta. O ocorrido esta semana é mera consequência da má gestão da coisa pública.

Evidente que temas tão sensíveis como este, afloram em época de eleição, com cada lado avaliando qual a melhor forma de tirar proveito da situação. Oposicionistas e situacionistas tem à sua frente o mesmo número, porém com versões e visões diferentes: copo meio cheio, meio vazio.

Quando olhamos para o IBGE, também olhamos para a Petrobrás, para a Eletrobrás, para os Correios.e o que vemos? Denúncias de corrupção, utilização indevida da máquina estatal para finalidades eleitoreiras, perda de competividade e desvalorização das empresas.

Para colocar mais lenha numa fogueira que já produz labaredas terríveis, ficamos sabendo no último final de semana que o grupo JBS doou até o início de Setembro, R$ 113 milhões à candidatos à eleição de 2014, dos quais 80% para os partidos de sustentação ao governo. Em 2005 o grupo faturou R$ 3,7 bilhões; depois dos aportes do BNDES faturou R$ 92 bilhões em 2013...

Hoje o BNDES é o segundo maior acionista do grupo com 24,5% de participação, 10% pertence à Caixa e a família Batista, 41%. Esta ciranda, não aparenta ser muito ética e transparente.

Quando confrontado com este quadro, o governo se arvora em afirmar que há uma campanha para desmoralizar a Petrobrás, que tudo está sendo investigado e que em linhas gerais, está tudo em ordem.

#SÓQUENÃO...



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