O Brasil descendo a ladeira.

Risco & Recompensa, 04/09/2014

Com a divulgação do PIB do último trimestre (-0,6) e a revisão do PIB do 1º. trimestre (- 0,2) chegamos finalmente àquilo que em “economês” chamamos de “recessão técnica”. Antes de abordar especificamente este tema, vale lembrar que desde 2004 (40 trimestres) tivemos um PIB negativo em apenas 7 ocasiões, sendo 3 deles nos “últimos 4 trimestres” e 2 em sequência ( 1º. e 2º. trimestres de 2014).

Voltamos ao conceito de “recessão técnica” e aqui o curioso é constatar que quando o noticiário no Brasil informa o crescimento negativo das demais economias do mundo, simplesmente se limita a informar que, em função da queda do PIB por 2 trimestres consecutivos, o país A ou B está em recessão -isto se deu com os Estados Unidos e a recente crise na Europa. Aqui é “técnica...”

O tema é controverso, porém, conceitualmente uma recessão é considerada técnica quando o quadro econômico mostra sinais de que a situação pode ser revertida em um curto espaço de tempo. Será?

De forma geral, é possível dizer que a recessão acontece quando a maioria dos setores da economia entra em declínio. A perda de confiança dos agentes econômicos leva a um adiamento de decisões, tanto de investimento, por parte das empresas, como da compra de bens duráveis, por parte das famílias. Com isso, entra-se num ciclo em que as pessoas deixam de gastar e as companhias deixam de produzir.

Com a confiança do consumidor reduzida e a incerteza aumentando, as pessoas preferem poupar e pagar dívidas a consumir. Além disso, elas sentem na pele a ameaça do desemprego, adiam a troca do automóvel e cancelam a viagem de férias. Não há outro jeito: a recessão reduz o bem-estar material das pessoas, mesmo daquelas que permanecem com seus empregos, e que às vezes tem até o seu salário reduzido.

Segundo dados da consultoria Kantar Worldpanel, a comparação de vendas em diversos setores entre Junho de 2013 e Junho de 2014, mostra os seguintes dados: veículos e motos (-18,7%), livros, jornais (-12,1%), informática e comunicação (-7%), material de construção (-4,7%), entre outros.

Não poderia ser diferente, o modelo de crédito fácil se esgotou (provavelmente em 2009) e os incentivos pontuais já não funcionam mais, as pessoas estão endividadas e preocupadas com o futuro.

Aqui fica a reflexão: em caso de reeleição o governo conseguirá reverter um quadro que ajudou a criar? Caso o vencedor seja um candidato da oposição tomará as medidas que promete em campanha?

Em breve saberemos!



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