Prevenção a Fraude - Agregando Valor ou Custo?

Risco & Recompensa, 13/08/2014

Quanto vale para você o vigia que fica na entrada da sua rua?

Você certamente sabe quanto ele custa. Mas só saberá o quanto ele vale depois que tirá-lo de lá e experimentar a concretização do risco que queria prevenir ao contratá-lo.

Quanto vale a área Antifraude da sua empresa? Depende...

Depende das funções que ela exerce, da sua forma de aplicação, e da natureza de negócios da sua empresa. Mas o mínimo já é muito.

Se sua empresa financia bens, não adianta muito investir em detecção pois, por definição, quando você detectar a fraude já aconteceu e o fraudador já foi embora com sua mercadoria.

Se sua empresa antecipa créditos, como um cartão ou telefone pós-pago por exemplo, normalmente a fraude é realizada através de uma série de transações. Então você consegue detectar antes que todo o seu limite de risco (crédito) seja alcançado. Mas, da mesma forma, você detectará nada além do que perdeu.

Em ambos os casos, só resta computar o prejuízo.

A abordagem precisa ser mais abrangente e objetiva.

Investir apenas em prevenção também não é suficiente pelo simples fato que a única forma de terminar a fraude é não gerando riqueza. Excesso de zelo na entrada de clientes ou aprovação de transações é sempre inibidor de novos negócios e pode até sensibilizar a receita da empresa.

E, como sempre haverá fraudes, o que fazer com aquelas que efetivamente acontecerem? Seu negócio possui meios preparados para minimizar o prejuízo?

Que tal terceirizar o risco e cobrar tais prejuízos dos parceiros estratégicos? Colocar a culpa em prestadores de serviços terá seu preço pois, quando você contratar um prestador de serviços, ele colocará esse custo (que ele não sabe medir) e forçará uma margem de segurança que elevará sua despesa total.

E no final desta estrada, resta o consumidor, a vítima mais frágil e protegida da história, a quem a Lei ampara com uma série de garantias legais que acenam com compensações resultando em mais despesas para a empresa.

Qual é a saída então?

Resposta: Não há uma saída única!

A atuação Antifraude deve ser um conjunto de medidas balanceadas, um framework, para evitar, detectar e corrigir fraudes viabilizando a sustentabilidade do negócio, o bom relacionamento com os stakeholders e o bom convívio com a sociedade.

PREVENIR

A prevenção não trata apenas de evitar ataques de fraude através de sistemas automatizados.

Prevenir é uma cultura organizacional que antevê os riscos, cria meios de evitar, detectar e recuperar perdas enquanto um produto está em fase de desenvolvimento.

Para fazer isso é preciso conhecer os ofensores e dominar as fragilidades dos processos de negócio, sistemas e stakeholders, mudando o jeito de operar.

Evitar a fraude, rejeitando propostas de adesão ou negando autorização, requer uma variedade de técnicas com grande acuidade para minimizar o impacto na geração de receitas. Cada erro representa uma oportunidade de negócio perdida.

Dada a criatividade da fraude, são necessários sistemas de análise e decisão complexos, com técnicas cada vez mais avançadas para diminuir danos colaterais e aumentar a certeza nas decisões de negócio.

DETECTAR

Requer visão de espectro abrangente para detectar ampla gama de tipos e modos de fraudes com alta velocidade para detectar rápido o suficiente de modo a corrigir o problema antes que o consumidor perceba, ou até mesmo para evitar a perda do bem.

Requer ferramentas ágeis de análise e correlacionamento de dados e geração de alertas, uma equipe bem treinada e motivada para consumir tais alertas em alta velocidade e prática.

CORRIGIR

A correção de fraudes não fica restrita apenas a ajustes financeiros na conta fraudada para eximir o consumidor e lançar valores à perda.

É preciso ir além e investigar se a perda se deu pela falha de algum stakeholder do processo e, assim, buscar recuperação da perda tomada.

Entretanto, isso só é possível se os contratos legais estiverem preparados para amparar disputas sem prejuízo ao relacionamento empresarial saudável. De outra forma, entra-se num litígio maléfico a todos.

INFORMAÇÃO

Assim como em qualquer atividade empresarial, a mensuração constante através de indicadores chave é essencial para acompanhar o desempenho e impactos da cadeia de prevenção de fraudes.

  • Quantas vendas/autorizações são recusadas por prevenção?
  • Quantas fraudes conseguimos detectar? Se forem muitas, podemos melhorar a prevenção? Estamos operando em velocidade adequada para evitar perdas? De quantos bons negócios precisamos, para repor o prejuízo efetivo de uma fraude?
  • Quantas fraudes conseguimos recuperar através de contratos estratégicos? Todas as falhas estão previstas?

Em resumo, fraudadores tem o tempo a seu favor. Eles estudam, analisam seus riscos, testam processos e aumentam suas chances de sucesso, transformando assim a fraude em um business para eles.

Cabe a nós investir mais tempo e ativos que eles, fechando as oportunidades que eles explorariam, aumentando a chance de perceber sua ação e combatendo-os com mais eficiência.

Afinal, a opção de correr riscos é diferente de decidir contar com a sorte.



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