Programa Sua dívida, Minha Reeleição.

Risco & Recompensa, 11/08/2014

O Banco Central anunciou no dia 25/7 um pacote de R$ 45 bilhões, em mais um esforço do governo Dilma Rousseff para estimular a economia, há pouco mais de dois meses da eleição presidencial. Feito sob medida para incentivar a concessão de crédito pelos bancos, principalmente o financiamento de setores tradicionais, como operações com consignado e financiamento de veículos, o pacote surpreendeu o mercado financeiro.

O anúncio do governo ocorre em momento de baixo crescimento da economia, prejudicado pela alta da inflação e pelo aumento da taxa básica de juros da economia (a Selic), de 7,25% para 11% ao ano entre abril de 2013 e maio deste ano, além da baixa confiança das famílias e empresas. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio sobre Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostra um ligeiro crescimento no total de endividados, 62,5% em Junho 2014 e 63,0% em Julho 2014.

O próprio governo admitiu oficialmente que, neste ano, haverá desaceleração do Produto Interno Bruto; a previsão de alta caiu de 2,5% para 1,8%. O mercado financeiro está mais pessimista e avalia que o crescimento não chegará a 1%.

É possível que as novas medidas contribuam para estimular os empréstimos dos bancos, que vêm registrando desaceleração nos últimos anos, entretanto, é improvável que surta o efeito desejado. O nível de confiança do empresariado despencou, as famílias estão razoavelmente endividadas e os bancos continuam extremamente seletivos. Além disso, de certa forma, os brasileiros ainda estão na ressaca da compra do seu veículo atual. Outro estudo da CNC aponta ainda que o próximo Dia dos Pais será o mais fraco desde 2004...

Enfim, esta medida atende supostamente os interesses do Palácio do Planalto. A preocupação é que o pífio crescimento da economia venha a afetar o binômio “emprego e renda”, vitrine da campanha de Dilma, causando prejuízo eleitoral.

Mais um voo da galinha à vista?



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