Crise ou morte anunciada?

Risco & Recompensa, 07/07/2014

”Uma crise na semana que vem seria um desastre. A minha agenda já está totalmente lotada...” - Henry Kissinger

Recentes estudos desenvolvidos nos Estados Unidos concluíram que a grande maioria dos negócios – independente dos avanços tecnológicos e nível de progresso do país – demora a perceber que determinadas crises (de liquidez, cambial, de inadimplência, etc.) são eminentes e consequentemente fica impossibilitada de tomar qualquer medida preventiva para se antecipar a estes eventos.

Da mesma forma, já dentro da crise, demora a tomar as medidas necessárias para minimizar seus efeitos e ainda para perceber que determinadas crises completaram o seu ciclo e que a economia se prepara para uma fase mais próspera.

Estes 3 momentos de uma crise, antes, durante e depois, constituem-se no calcanhar de Aquiles das empresas e colocam em xeque a sua saúde organizacional. As conseqüências são desastrosas e se traduzem, invariavelmente, em vários dos seguintes tópicos: queda nas vendas, perdas de crédito significativas, falta de alavancagem de novos negócios, perda de market share, perda de controles, baixa moral da equipe, desmotivação do quadro de funcionários, etc.

Crises são inevitáveis e não há força no universo capaz de eliminá-las. Entretanto, existem formas, metodologias e conceitos que uma vez aplicados, poderiam minimizá-las.

Todo negócio sabe antecipadamente as forças propulsoras do seu desenvolvimento e também as suas vulnerabilidades, sejam elas de âmbito interno ou externo. Entretanto, quais os que efetivamente preparam-se para estas ameaças? Quantos empreendedores, por ocasião do planejamento estratégico de suas empresas, dedicam-se a discutir nas reuniões de comitês, os eventos que podem colocar em risco as suas operações? Quantos listam estas ameaças potenciais e criam condições para reduzir os seus efeitos? Quantos discutem as razões da falta de produtividade e consequentemente da falta de competitividade de seus produtos e serviços?

Reuniões semanais de comitês, deveriam ter em suas pautas, algo mais do que uma infinidade de discussões meramente operacionais, discussões etéreas sobre a festa de final de ano, assuntos prosaicos como a falta de verba para se trocar a mobília ou apresentações intermináveis que mais exercitam o talento dos desenhistas de plantão...

É responsabilidade dos dirigentes de qualquer empresa, um mergulho nas profundezas de suas organizações para avaliá-las à luz da evolução global, do país, da concorrência e do tempo, que não perdoa decisões adiadas.

A aplicação do conceito de Gerenciamento do Risco, tão pouco discutido no Brasil e uma maior responsabilidade dos profissionais que determinam o destino das empresas, em muito contribuiriam para minorar a agonia de algumas corporações. Ainda mais em se tratando de Brasil, que como diria Tom Jobim, “não é para principiantes...”.



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